Familiares de Antonio Denarium são alvo de investigação da PF sobre esquema milionário de diamantes e garimpo ilegal
Familiares do ex-governador de Roraima Antonio Denarium aparecem em uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal na Amazônia. Entre os nomes citados está o empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho de Denarium, apontado pelos investigadores como integrante do núcleo financeiro de uma rede suspeita de movimentar milhões de reais ligados à exploração clandestina de minério.
De acordo com a PF, Fabrício aparece vinculado a empresas investigadas por movimentações financeiras incompatíveis com a estrutura formal apresentada. As diligências identificaram circulação de recursos por meio de empresas sem atividade operacional relevante, além de saques frequentes em espécie e transferências sucessivas entre contas relacionadas ao grupo investigado.
As investigações começaram em 2020, após uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-174. Durante a fiscalização, Fabrício e outro homem deram versões contraditórias sobre uma viagem entre Roraima e Rondônia. Eles afirmaram inicialmente que haviam saído de uma fazenda em Iracema, mas agentes encontraram registros indicando passagem por Manaus e Porto Velho.
A investigação também resgatou antecedentes de Fabrício em operações antigas relacionadas ao comércio ilegal de diamantes. Conforme os autos, ele foi preso em flagrante em 2010, durante a Operação Roosevelt, em Rondônia, quando policiais apreenderam diamantes e dinheiro em espécie. Os investigadores também identificaram conexões entre o empresário e pessoas investigadas em outros procedimentos sobre lavagem de dinheiro, contrabando internacional de pedras preciosas e garimpo ilegal.
Outro trecho das diligências menciona a Fazenda J. Bastos, declarada por Antonio Denarium à Justiça Eleitoral durante a campanha de 2018. Segundo a PF, investigados ligados ao esquema indicaram o imóvel, localizado em Iracema, como endereço relacionado às apurações. O município havia sido citado anteriormente pelos ocupantes do veículo abordado pela PRF.
‘Rei do diamante’
Os investigadores também incluíram no relatório uma postagem antiga em rede social na qual um parente teria chamado Fabrício de “the diamond king” (rei do diamante). O conteúdo aparece entre os elementos analisados pela PF durante as apurações relacionadas ao comércio ilegal de diamantes e à movimentação financeira suspeita.
Um dos focos centrais da investigação é a empresa FB Serviços, registrada em nome de Fabrício. Apesar de não possuir funcionários registrados, veículos ou estrutura operacional compatível, a empresa movimentou mais de R$ 6 milhões em poucos meses, segundo a PF. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram incompatibilidade entre os valores movimentados e a atividade econômica declarada oficialmente.
Além da investigação envolvendo diamantes, Fabrício e a tia dele, Vanda Garcia de Almeida, tornaram-se réus na Justiça Federal em uma ação relacionada ao financiamento de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Conforme o Ministério Público Federal (MPF), o grupo investigado teria movimentado cerca de R$ 64 milhões entre 2017 e 2021. Os denunciados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União.
Durante operações anteriores da PF, foram apreendidos motores, bombas hidráulicas, equipamentos usados em garimpo e anotações detalhadas sobre transporte de minério, compra de mercúrio e pagamentos feitos a pilotos. As investigações também apontam possível ligação entre o comércio ilegal de diamantes e crimes como evasão de divisas, organização criminosa e contrabando internacional.
Segundo autoridades federais, Roraima se tornou um dos principais focos de garimpo ilegal do país, principalmente em áreas próximas à Terra Indígena Yanomami. Organizações criminosas passaram a estruturar cadeias clandestinas de exploração mineral envolvendo financiamento, transporte aéreo irregular, lavagem de dinheiro e comercialização ilegal de ouro, cassiterita e diamantes.
As apurações também apontam impactos ambientais severos provocados pela atividade garimpeira. Imagens de satélite analisadas por órgãos ambientais mostram avanço do desmatamento, abertura de crateras e destruição de cursos d’água em áreas preservadas da Amazônia. A investigação continua para identificar toda a estrutura financeira e operacional ligada ao mercado clandestino de minerais extraídos ilegalmente em Roraima.
Com informações do Metrópoles

