Investigação sobre esquema de diamantes em Roraima cita empresa sem funcionários ligada a sobrinho de Denarium

A Polícia Federal (PF) apura suspeitas envolvendo o empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador Antonio Denarium, em um inquérito sobre contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e garimpo ilegal em Roraima.

As investigações começaram após uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em agosto de 2020, na BR-174. Fabrício e Zaqueu Pavão Barros estavam em uma Mitsubishi Triton quando foram parados.

Os ocupantes afirmaram inicialmente que vinham de uma fazenda em Iracema, no sul de Roraima. Porém, a PRF encontrou um comprovante de compra em Porto Velho, em Rondônia, feito no dia anterior.

Depois da descoberta, os dois admitiram a viagem. De acordo com o relatório, Fabrício disse aos policiais ser “sobrinho do governador”. A PRF também apontou que ele é filho de Odir Garcia Almeida, irmão de Antonio Denarium.

A partir desse episódio, a PF passou a reunir informações sobre possíveis ligações com garimpo ilegal e movimentações financeiras consideradas incompatíveis.

Segundo os autos, Fabrício já havia sido preso em 2010, em Rondônia, durante operação da PF que apreendeu diamantes e dinheiro em espécie.

O inquérito também cita possíveis conexões com investigados da Operação Exodus, voltada a apurar lavagem de dinheiro e contrabando de diamantes.

Outro ponto central é a empresa FB Serviços. Segundo a PF, não havia funcionários registrados nem estrutura operacional compatível com a atividade declarada.

Mesmo assim, a empresa movimentou mais de R$ 6,13 milhões em poucos meses. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou transferências pulverizadas e saques em espécie.

O relatório aponta 24 saques que somaram R$ 464 mil. Para os investigadores, o padrão financeiro levanta suspeitas.

A PF também analisou redes sociais associadas ao empresário, com registros de carros de luxo, motos aquáticas e consumo elevado. Em 2015, ele foi chamado de “the diamond king” (“o rei do diamante”).

Os investigadores dizem que não há registros formais de vínculo empregatício no Ministério do Trabalho.

A investigação também envolve Valdete Ribeiro da Silva, dona formal do veículo abordado pela PRF, técnica de enfermagem da rede pública estadual.

A PF aponta possível incompatibilidade entre renda e patrimônio, já que ela possui três veículos avaliados em mais de R$ 245 mil, o que levanta suspeita de uso de “laranjas”.

O inquérito segue em andamento.

Com informações do Metrópoles