Homem é condenado a 31 anos em Boa Vista por tentativa de feminicídio com base na nova lei
A 2ª Vara do Júri de Boa Vista condenou um homem a 31 anos de prisão por tentativa de feminicídio, ameaça, cárcere privado e tortura contra a companheira no bairro Senador Hélio Campos, zona oeste da capital. A decisão, de quarta-feira (15), foi divulgada pelo Ministério Público de Roraima (MPRR) nesta sexta-feira (17).
As agressões ocorreram entre 22 e 26 de agosto de 2025, no imóvel do casal, já sob a vigência da Lei 14.994/2024, que alterou o tratamento jurídico dos casos de feminicídio no Brasil.
Segundo a denúncia, Adriano Batista Alves passou a agredir a vítima após suspeita de infidelidade, mantendo-a em cárcere privado e praticando tortura com socos, tapas, faca, gargalo de garrafa, queimaduras com cigarro e mordidas.
A vítima sofreu lesões na cabeça, braços, pernas e região íntima, além de violência psicológica e moral. Conforme o MPRR, o caso ainda envolveu exposição das agressões a familiares e amigos por meio de redes sociais.
No dia 26, o réu afirmou: “de hoje tu não passa, eu vou te matar”, e fez uma ligação para que a vítima se despedisse da família. Ela conseguiu fugir após o agressor se distrair durante discussão com o irmão dela.
O julgamento foi conduzido pela 2ª Vara do Júri de Boa Vista. O Conselho de Sentença reconheceu os crimes e fixou pena de 31 anos de reclusão, além de quatro meses de detenção. Adriano já estava preso preventivamente.
Com a nova lei, o feminicídio passou a ser crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos e progressão de regime condicionada ao cumprimento de 55% da pena.

