Relatório da Unicef alerta para intoxicação por mercúrio e exige proteção à saúde de crianças Yanomami
A exposição de crianças Yanomami ao mercúrio presente nos rios da Terra Indígena continua sendo uma ameaça grave à saúde e ao desenvolvimento infantil, alerta relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a Hutukara Associação Yanomami.
Segundo o documento, a contaminação provocada pelo uso ilegal do metal no garimpo alcançou níveis extremamente altos. Um laudo da Polícia Federal, realizado em 2022, identificou concentrações de mercúrio até 8.600% acima do limite seguro para o consumo humano. As amostras foram coletadas em importantes rios de Roraima, como Uraricoera, Parima, Catrimani e Mucajaí.
Embora o enfraquecimento das atividades garimpeiras tenha levado a melhorias visíveis na qualidade da água, o relatório ressalta que os impactos do mercúrio continuarão afetando os Yanomami por muitos anos.
“A presença incolor do mercúrio nos rios e nos peixes seguirá sendo fonte de intoxicação prolongada”, destaca o texto.
O metal pesado afeta diretamente o sistema nervoso central e, em crianças, pode causar má formação fetal, atrasos no desenvolvimento, distúrbios neurológicos e problemas motores. O relatório reforça que os danos causados pela exposição ao mercúrio são ainda mais graves durante a infância.
Para o Unicef, garantir a proteção do território e impedir o avanço do garimpo ilegal são medidas urgentes para assegurar o direito à saúde das crianças Yanomami. Os autores do estudo alertam que o contato constante com substâncias tóxicas compromete o crescimento saudável dessa população, que já enfrenta outros desafios, como a desnutrição e o acesso precário a serviços básicos.

