Roraima lidera número de assassinatos de indígenas no Brasil em relatório do Cimi

Roraima registrou 82 assassinatos de indígenas em 2025, o maior número entre os estados brasileiros, segundo o Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

O número coloca o estado à frente do Amazonas, que registrou 47 assassinatos, e de Mato Grosso do Sul, com 37. Em todo o país, foram contabilizados 258 casos, contra 211 em 2024.

O levantamento utiliza informações do Sistema de Informação sobre Mortalidade, de secretarias estaduais de Saúde e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).

O Cimi afirma que os assassinatos ocorreram em um cenário de aumento de diferentes formas de violência contra os povos indígenas, incluindo conflitos territoriais, invasões e situações relacionadas à omissão do Poder Público.

O relatório cita episódios ocorridos em diferentes regiões do país para demonstrar a relação entre violência e disputas territoriais. Entre eles estão ataques contra indígenas Avá-Guarani no Paraná e os assassinatos do Pataxó Vitor Braz, na Bahia, e do Guarani Kaiowá Vicente Fernandes, em Mato Grosso do Sul.

Segundo a publicação, os três casos ocorreram em terras indígenas oficialmente delimitadas, mas cujos processos demarcatórios se prolongam há mais de uma década.

O documento também relaciona o cenário de violência ao impasse envolvendo a Lei nº 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal. De acordo com o Cimi, os pedidos para que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisasse a constitucionalidade da legislação permaneciam sem julgamento até dezembro.

Além dos assassinatos, Roraima aparece entre os estados com maior número de suicídios indígenas. Foram 37 casos em 2025, atrás apenas do Amazonas, com 77, e de Mato Grosso do Sul, com 42.

O levantamento nacional registrou 215 suicídios indígenas no ano, contra 208 em 2024. Jovens de 20 a 29 anos representaram 41% dos casos, enquanto pessoas de até 19 anos corresponderam a 34%.

Roraima também registrou 158 mortes de crianças indígenas de até 4 anos em 2025. O número só ficou abaixo do Amazonas, com 306. Em todo o país, foram 1.024 mortes nessa faixa etária.

O Cimi aponta ainda que 57% das mortes infantis registradas, ou 586 casos, decorreram de causas consideradas evitáveis.

O relatório inclui, por fim, dados sobre povos indígenas em isolamento voluntário. Foram identificados 119 registros no país, dos quais 28 são reconhecidos pela Funai. Também houve registros de invasões e danos ao patrimônio em 20 terras onde existem 45 registros de povos isolados.

Com informações da Agência Brasil