Campanha ‘Fique de Olho’ orienta sobre sinais de abuso e canais de denúncia

A identificação de sinais de violência e o incentivo à denúncia estão entre os principais focos da campanha “Fique de Olho”, lançada neste mês pela Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR). A iniciativa busca ampliar a proteção de crianças e adolescentes e conscientizar a população sobre o crime de estupro de vulnerável.

A campanha orienta a sociedade sobre como agir diante de possíveis casos de abuso e reforça que qualquer relação sexual envolvendo menores de 14 anos é considerada crime, independentemente de consentimento.

Segundo a corregedora-geral da DPE-RR, Lenir Rodrigues, que integra o Comitê Estadual de Gestão Colegiada da Rede de Proteção (CERPC), a proposta inclui mobilização social e fortalecimento da rede de atendimento.

“Funciona como um processo educativo de prevenção, orientando toda a sociedade sobre como combater a violência contra crianças e adolescentes, especialmente nos casos de estupro de vulnerável. Esse trabalho também envolve a atuação integrada de diferentes instituições, fortalecendo a rede de proteção e o cuidado com esse público”, explica.

Ela enfatiza que reconhecer sinais de abuso é um passo fundamental para interromper situações de violência.

“Todos os casos de abuso e exploração sexual deixam sinais, e é importante que a sociedade esteja preparada para reconhecê-los. Proteger crianças e adolescentes é um dever coletivo. Denunciar é fundamental e pode ser feito de forma segura, por meio do Disque 100, além da busca por órgãos como o Conselho Tutelar e as delegacias especializadas. O silêncio não pode ser uma opção”, afirma.

O defensor público-geral, Oleno Matos, destaca que o cenário no estado exige atenção permanente.

“Os dados mostram que precisamos, mais do que nunca, falar sobre prevenção e combate a esse crime tão covarde, em que as vítimas são nossas crianças e adolescentes”, afirma.

Ele também reforça que a campanha busca combater interpretações equivocadas sobre consentimento.

“Quando o assunto é estupro de vulnerável, algumas coisas precisam estar muito claras. Não existe consentimento. Uma criança ou um adolescente vulnerável, menor de 14 anos, por exemplo, não pode consentir um ato sexual. Qualquer relação nessas condições é crime”, salienta.

Com linguagem acessível, os conteúdos da campanha destacam a mensagem de que criança não consente e orientam sobre a importância da vigilância e da denúncia.

A campanha segue até agosto e tem como público prioritário pais, responsáveis, educadores e lideranças comunitárias.

Os materiais estão disponíveis nas redes sociais da DPE-RR e em plataformas digitais, com o objetivo de ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de proteção no estado.