Professor e suplente de vereadora são presos por envolvimento em roubo e tortura de jovem em Rorainópolis
Um professor universitário, ex-diretor de uma universidade em Rorainópolis, no sul de Roraima, e sua mulher, empresária e suplente de vereadora no município nas eleições passadas, foram presos por suspeita de envolvimento em um roubo a uma ex-funcionária, além de tortura, lesão corporal de natureza grave, constrangimento ilegal e ameaças a um jovem, de 21 anos.
As prisões ocorreram na segunda-feira (24), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil nesta quarta (26).
De acordo com o delegado Rick Silva e Silva, o caso começou a ser investigado após a ex-funcionária do casal ser vítima de um roubo em 28 de fevereiro. Na ocasião, dois assaltantes levaram apenas seu celular, ignorando joias, relógio e outros pertences de valor que ela carregava. Minutos depois, um dos criminosos retornou e desferiu dois socos em seu rosto, dizendo que aquilo era “só um aviso”.
A polícia iniciou as diligências e descobriu que os suspeitos do roubo tinham ligações com o professor, de 41 anos, e a sua mulher, de 39. Ao ser novamente ouvida, a vítima revelou que seu celular continha mensagens e áudios comprometedores, nos quais a empresária admitia ter participado das agressões ao jovem, com quem ela manteve uma relação extraconjugal.
Nova investigação revela tortura e ameaças
Com essa nova informação, a Polícia Civil começou a investigar os dois crimes e descobriu que o casal não apenas encomendou o roubo, mas também torturou e ameaçou o jovem, impedindo-o de denunciar a violência sofrida em outubro de 2023. A mãe do rapaz foi localizada e confirmou os abusos, revelando que ele ainda vive aterrorizado pelas ameaças.
“Conseguimos recuperar o celular da vítima do roubo que os criminosos tentaram descartar na ponte do Rio Anauá. Felizmente, ele não caiu na água, e extraímos imagens que mostram a acusada, agredida pelo marido, além de outras provas importantes para o caso”, explicou o delegado Rick Silva.
Tentativa de destruição de provas
A investigação avançou quando a empresária foi intimada para prestar esclarecimentos sobre o roubo. Após sair da delegacia, ela excluiu as imagens das câmeras de segurança de seu estabelecimento. Uma funcionária presenciou a ação e avisou a ex-colega assaltada, que imediatamente comunicou o ocorrido à polícia.
Com a gravidade dos fatos, o delegado Rick Silva representou pela prisão temporária do casal, fundamentando o pedido no crime de roubo, que ocorreu recentemente, e nas provas contra a outra vítima, que indicam tortura, constrangimento ilegal, ameaça e lesão corporal de natureza grave no contexto de violência doméstica.
Ainda segundo o delegado, as investigações apontam que a acusada teve uma relação extraconjugal com o rapaz, que trabalhou em seu estabelecimento. O marido descobriu e ameaçou o jovem, que tentou ir para Manaus.
Ao chegar a Presidente Figueiredo, ele foi atraído por uma mensagem, supostamente enviada pela acusada, que lhe pediu para retornar a Rorainópolis. Acreditando nela, o jovem voltou ao município e foi levado de carro por ela até uma vicinal, onde o marido dela e outro homem aguardavam.
“Ela o atraiu até esse local, onde foi violentamente espancado e abandonado na estrada. Ele conseguiu ser socorrido e levado para o Hospital Geral de Roraima, em Boa Vista, onde ficou hospitalizado e foi coagido a não denunciar a agressão”, disse o delegado.
Ação policial e prisões
As investigações foram realizadas com o delegado regional Hans Hellebrandt e, com o avançar das diligências, a Policia Civil representou pelos mandados de busca e apreensão na casa dos investigados e de prisão temporária do casal, sendo deferida pela Justiça.
A Polícia Civil cumpriu os mandados de busca e apreensão e de prisão temporária em três locais diferentes de Rorainópolis, contando com o apoio da Polícia Militar e da Polícia Penal. A operação resultou na prisão do casal e na apreensão de dispositivos eletrônicos que poderão auxiliar nas investigações.
“A Polícia Civil segue investigando o caso, pois há denúncias de que o investigado vinha fazendo ameaças a testemunhas. Então entramos em uma nova fase da investigação que visa extrair as provas dos dispositivos eletrônicos apreendidos, por meio da perícia”, detalhou o delegado.
O casal foi encaminhado para audiência de custódia.