MPE aponta esquema de compra de votos com envolvimento de presidente da Câmara e coronel da PM

O Ministério Público Eleitoral (MPE) denunciou à Justiça Eleitoral 16 pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema estruturado de compra de votos durante as eleições municipais de 2024. Entre os denunciados estão o presidente da Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV), Genilson Costa e Silva (Republicanos), e o coronel da Polícia Militar de Roraima Francisco das Chagas Lisboa Júnior.

Conforme a denúncia, o grupo tinha como objetivo garantir a reeleição de Genilson Costa e funcionava de forma hierarquizada, com divisão de tarefas entre líderes, coordenadores e operadores de campo. Também havia uso de recursos não declarados, configurando “caixa dois”.

O esquema consistia em pagamento a eleitores, geralmente entre R$ 100 e R$ 150, com comprovação por fotos ou vídeos com material de campanha. Planilhas, listas manuscritas e grupos de mensagens eram usados para organizar o cadastro de eleitores, o pagamento e a prestação de contas interna. Integrantes monitoravam ações de fiscalização e repassavam informações sigilosas para o núcleo de comando.

Segundo o MPE, o montante movimentado ultrapassaria R$ 4 milhões, valor seis vezes superior ao patrimônio declarado por Genilson Costa.

O órgão solicitou que Genilson seja afastado do cargo de vereador como medida cautelar. Para Francisco das Chagas Lisboa Júnior, foi pedido afastamento do cargo de coronel e envio de cópia do processo à Justiça Militar, Ministério Público Militar e Corregedoria da PM, por uso indevido do cargo e violação de sigilo funcional. Ele teria acessado o sistema “Disk 190” para repassar informações sobre denúncias contra o candidato.