Correios acumulam atrasos e Roraima tem pior desempenho em entregas
Em 2025, os Correios não atingiram a meta nacional de entregas no prazo. Roraima teve o pior desempenho do país, com apenas 64,84% das encomendas entregues dentro do prazo, enquanto a meta estadual era de 94,84%. O índice nacional consolidado ficou em 90,18%, abaixo da meta de 95,54%.
A Região Norte concentrou seis dos sete piores desempenhos do país. Apesar disso, a estatal apontou leve melhora de 0,71 ponto percentual frente a 2024. O levantamento considera encomendas, serviços logísticos e mensagens, incluindo objetos entregues com atraso, extraviados ou roubados. Os Correios atribuíram o cenário a cargas represadas e falhas no processamento em centrais exportadoras.
Atrasos no pagamento
Os Correios deixaram de pagar fornecedores de logística responsáveis pelo transporte aéreo e rodoviário de encomendas. Até julho, havia 58 ações judiciais movidas por 41 empresas, cobrando faturas em atraso estimadas em R$ 104 milhões. Parte das empresas já havia informado que retomaria serviços em abril, mas os pagamentos não foram regularizados, provocando paralisações. No total, a estatal acumulou R$ 3,7 bilhões em obrigações diversas, incluindo INSS Patronal, fornecedores, Postal Saúde, tributos PIS/Cofins, Remessa Conforme e Postalis.
Medidas adotadas
Para conter os atrasos e a queda no desempenho, os Correios implementaram ações como priorização de pagamentos a fornecedores logísticos, reestruturação do fluxo de caixa, negociações de parcelamentos e contratação emergencial de operadores regionais. Também houve otimização da malha de transporte, revisão de procedimentos de paletização e viagens extras em rotas nacionais, incluindo operações noturnas.
Cobrança do Congresso
O deputado Evair Vieira de Melo protocolou quatro requerimentos para que órgãos de controle fiscalizem os Correios, com envio ao Tribunal de Contas da União (TCU), à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os questionamentos estão uso de empresas intermediadoras, auditorias, contratações sem licitação e avaliação da situação econômico-financeira. Os documentos já foram recebidos pela Câmara, mas ainda não começaram a tramitar.

