Brasil inaugura centro inédito de saúde indígena na Terra Yanomami; investimento é de R$ 29 milhões
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou no sábado (6) o Centro de Referência em Saúde Indígena Xapori Yanomami (CRSI), a primeira unidade desse tipo construída no país. Localizado na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, o centro inicia seus atendimentos com uma proposta inovadora de cuidado integral e resolutivo às populações indígenas.
Com investimento de aproximadamente R$ 29 milhões, a obra faz parte da resposta do governo federal à grave crise sanitária que afetou o território em 2023. Desse valor, R$ 15 milhões foram destinados à construção e estrutura física e R$ 14 milhões ao custeio de 164 profissionais divididos entre equipes de saúde, infraestrutura e logística.
Segundo Padilha, a inauguração representa uma virada histórica.
“Estamos corrigindo uma ausência de décadas. A última estrutura de saúde construída aqui foi em 1992. Esse novo centro traz tecnologia, acolhimento e dignidade aos Yanomami”, declarou.
A unidade funcionará como base para o polo Surucucu e 22 subpolos, beneficiando diretamente 10 mil indígenas. Com mais de 1.300 m² de área construída, o centro comporta 120 pacientes e acompanhantes em três blocos: alojamento, atendimento e refeitório.
A infraestrutura inclui serviços ambulatoriais, salas de emergência, exames laboratoriais, raio-X, ultrassom, doppler fetal, eletrocardiograma, atendimento pré-natal, detecção precoce de câncer do colo do útero, diagnóstico e tratamento da malária e outras doenças prevalentes. Também conta com oxigenoterapia, refrigeração de medicamentos e vacinas e sistemas de abastecimento sustentáveis.
De acordo com o secretário Weibe Tapeba, os avanços permitirão maior resolutividade.
“Não será mais necessário deslocar pacientes até Boa Vista para exames simples. A presença do laboratório de análises clínicas no território é um divisor de águas.”
Os números reforçam o impacto da política. Entre 2023 e 2025, o território registrou queda de 33% nas mortes, sendo 45% a menos por doenças respiratórias, 65% por malária e 74% por desnutrição. Os dados preliminares também indicam mais de 154 mil atendimentos em 2025, e quase 80% das crianças menores de cinco anos acompanhadas pela vigilância nutricional.
O Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami cobre mais de 9,6 milhões de hectares, com sede em Boa Vista. Hoje, todos os 37 polos de saúde estão em funcionamento, revertendo um cenário anterior de vazio assistencial.
Desde a decretação da emergência sanitária, foram investidos R$ 256 milhões em saúde indígena no território Yanomami.

