Alvo da PF por compra de votos, deputada usou clubes de futebol para promover sua imagem política

A operação da Polícia Federal que teve como alvo a deputada federal Helena da Asatur (MDB-RR) nesta semana trouxe à tona a prática de uso de clubes de futebol como meio de promoção pessoal. Investigada por suspeita de compra de votos, a parlamentar já vinha sendo questionada por vincular sua imagem institucional às camisas e redes sociais de times locais, patrocinados por empresas de sua família.

O Grêmio Atlético Sampaio (GAS) e o Atlético Roraima, dois dos principais clubes do Estado, receberam patrocínio das empresas da família da deputada. Em contrapartida, os uniformes das equipes passaram a exibir “Helena Deputada Federal”, o que especialistas consideram indício de promoção pessoal com viés eleitoral.

“O uso do nome da parlamentar, em vez da marca das empresas patrocinadoras, caracteriza um desvio de finalidade. Isso pode ser analisado como abuso de poder econômico, especialmente se houver candidatura futura”, avalia o advogado Guilherme Barcelos.

A deputada nega qualquer irregularidade e afirma que a associação é apenas simbólica. No entanto, os próprios clubes a apresentaram como patrocinadora em suas redes sociais. Após repercussão negativa, o material foi removido.

A atuação de Helena no esporte roraimense é destacada por aliados e dirigentes, entre eles Samir Xaud, presidente da CBF e um dos investigados na mesma operação da PF. Ambos são filiados ao MDB de Roraima, onde Samir foi suplente de deputado federal em 2022.

A operação da PF, deflagrada com base em apurações iniciadas após a prisão de Renildo Lima, marido de Helena, levou à busca e apreensão em dez endereços, inclusive na sede da CBF, e ao bloqueio de R$ 10 milhões.

Com informações de O Globo