ISA registra redução do desmatamento por garimpo na Terra Yanomami, mas aponta novas rotas de invasão

O desmatamento causado pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami caiu nos últimos anos após o avanço das operações federais de combate às invasões em Roraima. A informação consta em relatório divulgado na sexta-feira (22) pelo Instituto Socioambiental (ISA), em parceria com o programa Monitoring of the Andes Amazon Program (MAAP), da Amazon Conservation Association.

Segundo o levantamento, a atividade garimpeira atingiu o pico entre 2021 e 2022, mas apresentou desaceleração a partir de 2023, quando o governo federal instaurou Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) no território indígena.

Os dados mostram que a TI Yanomami acumula atualmente 5.564 hectares degradados pelo garimpo ilegal. Em 2025, foram registrados 45,2 hectares de novas áreas desmatadas, número inferior aos 84 hectares registrados em 2024.

Apesar da redução, o relatório alerta que os invasores seguem ativos e passaram a mudar a forma de atuação diante do aumento da fiscalização. O documento aponta que os grupos criminosos têm dispersado as atividades e migrado para áreas próximas à fronteira com a Venezuela.

O monitoramento realizado por especialistas em geoprocessamento identificou 121 polígonos de novas áreas impactadas em 2025. De acordo com o ISA, 90% dessas áreas possuem até um hectare, indicando fragmentação das atividades ilegais para dificultar a identificação pelos órgãos de fiscalização.

Os maiores pontos identificados ficam nas regiões de Parima e Surucucus, próximos à pista do Feijão Queimado, em Roraima. Cada um dos polígonos possui cerca de quatro hectares de área degradada.

O relatório também aponta que regiões antes fortemente exploradas, como Alto Catrimani, Médio Uraricoera e Homoxi, aparentam estar relativamente neutralizadas após as operações federais. Em contrapartida, novas cicatrizes de garimpo foram identificadas em Parafuri-Parima, Hokomawë e Cabeceira do Aracaçá.

Além do monitoramento por satélite, o ISA realizou um sobrevoo em 23 de abril deste ano nas regiões de Ericó, Palimiu, Waikás e Parafuri. As imagens registradas durante o voo confirmaram os dados obtidos remotamente sobre áreas desmatadas e movimentação garimpeira.

O Sistema de Alertas da Terra Indígena Yanomami registrou pelo menos cinco ocorrências relacionadas à movimentação de aeronaves clandestinas em 2025 na região de Auaris. Segundo o documento, as aeronaves seguiam principalmente em direção à pista do Gaúcho Animal ou para uma pista localizada na cabeceira do rio Aracaçá.

As denúncias também apontaram movimentação de balsas, dragas, barcos suspeitos e transporte de insumos pelos rios Uraricoera, Catrimani, Apiaú e Ajarani. O Baixo Catrimani foi a região com maior número de alertas relacionados a invasões fluviais entre abril e dezembro de 2025.

Para o geógrafo do ISA, Estêvão Senra, a valorização do ouro no mercado internacional mantém o interesse permanente sobre a região.

“Operações de desintrusão são o primeiro passo indispensável, mas sozinhas elas não resolvem o problema estrutural. Sem estratégias de proteção territorial de médio e longo prazo, que envolvam vigilância permanente e melhorias na regulação da cadeia do ouro, há um grande risco de observarmos uma nova onda de invasão num futuro próximo.”

O diretor do MAAP na Amazon Conservation, Matt Finer, afirmou que ações contínuas são necessárias para evitar o retorno do garimpo ilegal.

“Na Terra Indígena Yanomami, o garimpo ilegal atingiu seu pico entre 2021 e 2022, mas caiu significativamente após a grande intervenção do governo brasileiro, iniciada em 2023. No entanto, como observamos recentemente no Peru e na Venezuela, essas ações precisam fazer parte de um esforço contínuo e de longo prazo. Caso contrário, o garimpo ilegal tende a retornar rapidamente.”

Com informações do Instituto Socioambiental