Combate às queimadas em Roraima é intensificado com suspensão temporária do calendário

Roraima enfrenta aumento de focos de incêndio durante a estiagem, mesmo com previsão de chuvas e temperaturas dentro da normalidade entre fevereiro e abril de 2026. Em resposta, o governo estadual intensificou ações preventivas e repressivas, após suspender temporariamente o calendário de queimadas.

O coronel Anderson Carvalho, comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Roraima (CBMRR), informou que a suspensão vai até 11 de março e poderá ser prorrogada dependendo das condições climáticas.

Motivação da suspensão

“O Comitê de Combate às Queimadas decidiu pela suspensão em razão do aumento no número de focos de incêndio, principalmente durante o período de Carnaval, e pela previsão de poucas chuvas. A vegetação já vem sofrendo com o verão e está mais propensa à propagação do fogo”, explicou o coronel.

Ele acrescentou que mesmo queimadas autorizadas saíram do controle em alguns casos, o que contribuiu para a decisão.

“O momento é crítico. Vamos intensificar as ações preventivas, reforçar a fiscalização e atuar de forma mais rigorosa para minimizar os focos de incêndio e os danos ambientais no estado”, destacou.

O comandante reforçou que queimadas não autorizadas, em áreas urbanas ou rurais, configuram crime ambiental, sujeitas a sanções penais e administrativas. As denúncias podem ser feitas pelos telefones 193 e 199, ou pelo WhatsApp (95) 98406-5439.

Focos registrados no estado

Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, Roraima contabilizou 922 focos de incêndio, sendo Caracaraí o município com maior número de registros: 197. Apenas em fevereiro, o combate mobilizou 350 bombeiros militares, 148 brigadistas e 21 viaturas, reforçando o trabalho integrado.

Caer reforça abastecimento de água

A Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer), integrante do Comitê de Combate às Queimadas, participa da estratégia de enfrentamento. O diretor comercial Cícero Batista destacou que a estiagem aumenta a demanda por água para consumo humano e combate aos incêndios.

“No período de maior estiagem, o consumo aumenta. Precisamos garantir que os poços artesianos estejam funcionando adequadamente. Onde houver necessidade, vamos reforçar o abastecimento com caminhões-pipa”, disse Batista.

Ele reforçou que a água é essencial para conter os incêndios e proteger a população e os animais.

“Sem abastecimento adequado, o fogo se intensifica. Por isso, a atuação integrada no comitê é fundamental”, concluiu o diretor.